Viva Villa! (1934)

Da responsabilidade do conhecido produtor David O. Selznick (E Tudo o Vento Levou) e com uma produção atribulada que ficou tanto ou mais conhecida que o próprio filme, Viva Villa! é uma versão "hollywoodesca" de um dos maiores herois nacionais mexicanos: Pancho Villa.
Os problemas que assombraram a produção do filme foram muitos e potenciados pela filmagem em território mexicano. Desde logo, o Governo mexicano considerou uma afronta o facto de Hollywood produzir um filme sobre um dos seus herois. Para acalmar os animos, a Metro-Goldwyn-Mayer acedeu a negociar o argumento e suafizou a imagem de Pancho Villa. Outro problema foi a utilização de habitantes locais como figurantes, que criaram inumeros conflictos e um acabou por se suicidar após ter batido com o carro contra uma cerca.
Mas não foram apenas os locais a criar problemas: Lee Tracy, um dos actores contractados e conhecido pelas suas bebedeiras, provovou os habitantes locais e insultou o povo mexicano durante uma festa local. O actor teve de abandonar o país clandestinamente e Selznick viu-se obrigado a despedi-lo e a escrever uma carta de desculpas ao Governo mexicano. O despedimento de Tracy originou, por sua vez, um conflito entre Louis B. Mayer, patrão da MGM, e Howard Hawks, o primeiro realizador do filme, que acabou por abandonar o filme.
Com a saida de Hawks, Viva Villa! teve de ser praticamente todo rodado de novo, desta vez com Jack Conway como realizador. Até hoje, desconhece-se o contributo de Hawks para o resultado final, até porque diversas bobines de filme foram destruidas num acidente de avião. No entanto, ao longo do filme, é possível destinguir determinadas cenas que têm a marca de Hawks. Para além disso, sabe-se que o realizador pretendia que Viva Villa! fosse uma sátira ao drama histórico, mas o resultado final está longe disso. Aliás, o filme é uma amalgama confusa, agravada pela opção do estúdio de entregar a personagem principal a Wallace Beery (O Campeão), actor mais conhecido pelos seus personagens estravagantes, que é como interpreta o "seu" Pancho Villa. Para piorar a situação, a MGM não contratou nenhum actor hispanico, o que tira ainda mais verossimilhança à "restituição histórica".
Muito embora todos os seus problemas (à frente e atrás das camaras), Viva Villa! foi um dos sucessos de bilheteira de 1934 e foi nomeado para quatro Óscares, incluindo o de melhor filme, tendo apenas ganho o de melhor assistente de realização, categoria que apenas existiu entre 1933 e 1937.
Viva Villa! Metro-Goldwyn-Mayer. Estados Unidos, 1934, 115 min., drama. Realizador: Jack Conway. Argumento: Ben Hecht, baseado no livro de Edgecumb Pinchon e O.B. Stade. Actores: Wallace Beery, Leo Carrillo, Fay Wray, Donald Cook, Stuart Erwin.
Pancho Villa, um bandido, junta-se a Francisco Madero, um rebelde, na luta contra o Presidente Mexicano Porfirio Diaz.