História do Cinema: 1920-1929

A era do sonoro

O Cantor de Jazz

“O Cantor de Jazz”, a primeira longa-metragem sonora

A década de 1920 é marcada pelo espírito do pós-guerra e a diversidade das produções cinematográficas são reflexo disso mesmo. Nos Estados Unidos, os talentos de Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd dominam na comédia, Cecil B. De Mille continua a realizar melodramas carregados de sensualidade e os primeiros filmes de gangsters e documentários fazem a sua aparição. Na Europa, as experiências vanguardistas de Man Ray e Luis Bunuel marcam a França do pós-guerra e a Alemanha vive, na primeira metade da década, a era de ouro do expressionismo alemão. Após anos de filmes de propaganda, o cinema soviético (controlado pelo Estado) torna-se num centro criativo, cujo expoente máximo são as obras de Sergei Eisentein. Por sua vez, a Índia vive uma década extremamente produtiva, produzindo cerca de 100 filmes por ano.

Em Hollywood, a vida da cidade e da industria cinematográfica é dominada pelos escândalos das estrelas de cinema que, à semelhança dos personagens que interpretam no grande ecrã, vivem histórias pessoais rocambolescas: o comediante Fatty Arbuckle abandona a sua carreira cinematográfica devido às suspeitas de assassinato da actriz Virginia Rappe; em 1918, as salas de cinema recusam-se a exibir os filmes de Francis X. Bushman, quando se tornam publicas as suas aventuras extra conjugais; o ídolo da juventude Wallace Reid morre, vitima de drogas; a actriz exótica Pola Negri vê a sua popularidade aumentar quando o seu romance com o actor Rudolph Valentino se torna público.

O final da década viria a ser marcada por um dos mais importantes acontecimentos da história do cinema: a exibição do primeiro filme sonoro. Muito embora as experiências de Thomas Edison, foi a pequena empresa Vitaphone (criada pela Warner Bros. e pela Wester Electric) a desenvolver um sistema eficaz e a produzir as primeiras curtas-metragens sonoras em 1926 e um ano mais tarde a primeira longa-metragem sonora: O Cantor de Jazz, realizada por Alan Crosland e protagonizado por Al Jolson.

Os filmes sonoros foram um sucesso imediato e no final da década, perto de metade das salas de cinema americanas estavam preparadas para os exibir. Muito embora o seu sucesso, o sonoro levou à ruína de alguns actores: uns não tinham a voz mais indicada para o novo registo cinematográfico, outros, como Mary Pickford, não conseguiram fugir à imagem que construíram durante a era do mudo e retiraram-se.

A década não terminaria sem mais um acontecimento importante e que iria influenciar a economia mundial, incluindo a indústria cinematográfica: a queda da bolsa de Nova Iorque em Outubro de 1929 e o início da depressão económica.

O Couraçado de Potemkin

“O Couraçado de Potemkin”, do realizador Sergei Eisentein

Timeline, Década 1920 – 1929

1920

1921

1922

1923

1924

1926

1927

1928

1929

The End

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