Hollywood: Máquina de Estrelas

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Mais Estrelas que no Céu.

Era este o lema da Metro-Goldwyn-Mayer na “época dourada” de Hollywood e poucos estúdios tinham uma máquina tão oleada como o de Louis B. Mayer, um dos maiores criadores de estrelas da meca do cinema. No entanto, as estrelas de cinema não foram inventadas de repente, foi um processo evolutivo, que “nasceu” pouco após o do cinema.

No início, os actores eram apenas um rosto sem nome e o público contentava-se a ver as “imagens em movimento”. No entanto, por volta de 1910, a reacção do público em relação aos filmes alterou-se e aquele começa a responder a actores específicos. Respondendo a este desejo, a industria cinematográfica foi “recrutar” ao teatro conhecidos actores, sendo o melhor exemplo desta prática a Famous Players, produtora fundada em 1912 por Adolph Zukor com reputados actores teatrais. No entanto, o público queria “estrelas de cinema” e foi ele próprio a encontrar o queria: os filmes interpretados por uma “pequena rapariga de caracóis” rapidamente se tornaram populares e o público quis saber mais sobre ela. Assim nasce “Mary Pickford, estrela de cinema” e a sua popularidade foi tal que se tornou na “namorada da América” e na mulher mais conhecida no mundo.

O período que Mary Pickford representa (1913-1919) marca o nascimento da estrela de cinema, dos seus diferentes tipos e da percepção dos estúdios de que são os actores/estrelas a venderem os filmes. Durante o referido período, os estúdios aperceberam-se que o público via os actores como os personagens que representavam, numa estranha amálgama entre a pessoa e o personagem. Os estúdios aproveitaram tal situação e potenciaram-na através de casting, dos argumentos e da interpretação.

Com o advento do som, e consequente “passagem” das filmagens para dentro dos estúdios, a indústria cinematográfica apercebeu-se que as estrelas eram “mercadoria” e, como tal, poderiam ser “fabricadas”, deixando de ser algo dependente da sorte. Nasce, assim, a “máquina de estrelas”, que permitia descobrir potenciais estrelas, formata-las, vende-las e sustenta-las. Esta é a grande diferença entre o cinema mudo e o sonoro: enquanto no primeiro, as estrelas são contratadas pelo seu talento, beleza ou atributos e quando se revelavam populares tornavam-se estrelas; no cinema sonoro, as estrelas são criadas e controladas pela máquina. No entanto, houve actores que conseguiram manter-se na transição de uma para a outra época, como Greta Garbo, Charlie Chaplin, Gloria Swanson, entre outros.

Na década de 30, “a máquina de estrelas” encontrava-se em pleno funcionamento e a sua evolução coincidiu na perfeição com a transição para o cinema sonoro, que requeria um tipo de estrela mais natural e real. Os estúdios controlavam, então, todo o processo e conseguiam tornar qualquer actor numa estrela, incluindo crianças e cães. O controlo exercido pela “máquina” era tal, que se tornou na rotina diária dos estúdios e as estrelas viviam o seu tempo quase todo no estúdio ou controlado por ele. O temperamento dos actores, o gosto volátil do público e outros factores imprevisíveis, não eram obstáculos para os estúdios, cujos meios justificavam o fim: o lucro.

Durante décadas, a “máquina” funcionou na perfeição e só o fim dos grandes estúdios, durante a década de 50, destruiu a “máquina”. Embora a figura da “estrela de cinema” ainda perdure até aos nossos dias, o seu contexto e, em particular, o seu glamour estão longe da época dourada de Hollywood.

Fotografia comemorativa do 20º aniversário da Metro-Goldwyn-Mayer, em 1943, com as maiores estrelas do estúdio e com Louis B. Mayer, o patrão do estúdio, na primeira fila ao centro.