Neo-Realismo Italiano
Movimento cinematográfico com preocupações humanistas, que nasceu do anti-fascismo do pós II Guerra Mundial em Itália e que, muito embora o seu curto período de existência (1943-1952), influenciou o cinema italiano e mundial.
Marcada pela ditadura de Benito Mussolini nas décadas anteriores, a Itália do pós guerra era um país devastado, com uma economia em grandes dificuldades e que sentia a difícil transição da agricultura para a indústria. Esta realidade estava longe do cinema italiano, quer das produções nacionais, que se resumiam a histórias fantasiosas e irreais, quer devido às produções de Hollywood, que inundavam o país. Neste contexto, os neo-realistas reclamavam que o cinema devia “ver” e analisar a realidade, mostrando a vida italiana sem embelezamento. A filosofia do neo-realismo, cujas fundações foram estabelecidas pelo poeta e argumentista Cesare Zavattini, tinha, assim, uma clara preocupação humanista, onde se enfatizava a vida real e o espírito colectivo.
De forma a realçar a sua filosofia, o cinema neo-realista recorria a actores não profissionais e a um estilo cinematográfico muito perto do documentário e era completamente o oposto do cinema de Hollywood. No entanto, este foi, a par dos filmes de Jean Renoir e de Alessandro Blassetti, uma das influências do movimento: não só nos movimentos de câmara, mas também na luz, onde o film noir é a referência.
Com a melhoria das condições económicas e com uma realidade já bem diferente do pós guerra, o neo-realismo começou a perder folgo na década de 50. Embora tenha durado apenas 9 anos, o movimento alterou profundamente o cinema italiano e mundial, tendo influenciado realizadores e mesmo outros movimentos como a Nouvelle Vague francesa ou o Dogma 95 dinamarquês. Muito embora o seu contexto histórico, os filmes do neo-realismo valem por si próprios e perduram na memória cinéfila mundial, como se pode comprovar pelos exemplos de Roma, Cidade Aberta (1945) de Roberto Rosselini, A Terra Treme (1948) de Luchino Visconti e a trilogia de Vittorio de Sica, composta por Sciuscia (1946), Ladrões de Bicicleta (1948), considerado o melhor exemplo do neo-realismo, e Humberto D (1952).
