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Encruzilhada

Crossfire
RKO Radio Pictures
Estados Unidos, 1947, 86 min., film noir
Realizador: Edward Dmytryk
Argumento: John Paxton, baseado no romance “The Brick Foxhole” de Richard Brooks
Actores: Robert Mitchum, Robert Young, Robert Ryan, Gloria Grahame, Paul Kelly
Estreia em Portugal: 17 de Junho 1948 (Politeama)

Um advogado do Ministério Público investiga a morte de um homem de origem judaica.

Ao longo dos seus anos de existência, a produção da RKO Radio Pictures sempre foi muito diversificada e, ao contrario dos restantes estúdios da época, nunca teve nenhum género pelo qual ficou conhecido. No entanto, do estúdio saíram um conjunto de filmes negros únicos e de inegável qualidade. Encruzilhada é um desses filmes.

Dore Schary tinha iniciado funções como executivo da RKO quando o produtor Adrian Scott lhe propôs a produção da obra “The Brick Foxhole“, cujos direitos comprara ao autor Richard Brooks. Schary considerou o tema pouco atractivo para o grande público, mas, muito embora as suas reticências, a produção foi aprovada. Os elevados salários dos protagonistas obrigaram a que a rodagem se limita-se a uns curtos 20 dias, mas Encruzilhada está longe de parecer um filme de baixo orçamento. Muita da qualidade do filme deve-se ao trabalho do director de fotografia J. Roy Hunt, um veterano das artes cinematográficas, que tinha perto de 70 anos quando participou em Encruzilhada.

A interpretação é outra das grandes mais-valias de Encruzilhada, já que conta com grandes protagonistas e alguns actores secundários que dão uma dimensão única ao filme, nomeadamente Gloria Grahame. A actriz encontrava-se, na altura, sob contrato da Metro-Goldwyn-Mayer, que nunca soube o que fazer com ela e que a “emprestou” regularmente a outros estúdios. Curiosamente, foi nos filmes em que foi “emprestada”, que fez os seus trabalhos mais interessantes e Encruzilhada é o melhor exemplo disso. De tal forma, que o filme, de baixo orçamento recorde-se, foi reconhecido pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas com cinco nomeações aos Óscares, entre elas a de melhor actriz secundária para Grahame. Muito embora o sucesso do filme, a MGM continuou sem saber o que fazer com a actriz e quando a RKO lhe propôs um contracto a MGM de boa vontade a libertou.

A rapidez da rodagem fez com que Encruzilhada chega-se às salas de cinema primeiro do que A Luz é Para Todos, cuja temática anti-semita é semelhante. No entanto, aquando da cerimónia dos Óscares, foi este último que levou a melhor, já que arrecadou três estatuetas e Encruzilhada não conseguiu nenhuma. Tal deveu-se ao facto do realizador Edward Dmytryk, um dos “Dez de Hollywood“, e o produtor Adrian Scott estarem, na altura, a ser investigados pelo Comité de Investigação de Actividades Anti-americanas, o que levou o filme a cair em desgraça. No entanto, Encruzilhada foi um sucesso de crítica e um dos maiores sucessos de bilheteira da RKO em 1947 e, actualmente, é considerado um dos melhores film noir da história do cinema.

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