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Dynamation

Processo de animação criado na década de 1950 pelo especialista em efeitos especiais Ray Harryausen, que permitia que modelos em miniatura interagissem com acção real.

Embora o termo Dynamation apenas tenha surgido aquando da produção de The 7th Voyage of Sinbad (1958), Harryhausen, inspirado pelos efeitos especiais de King Kong (1933), cedo começou a realizar experiências na animação de modelos, o que o levou a trabalhar em O Gigante Africano (1949). O processo utilizado neste filme era demasiado caro para produtoras de filmes B e Harryhausen teve de desenvolver um sistema mais barato para O Monstro dos Tempos Perdidos (1953), o seu primeiro filme a solo. O Monstro dos Tempos Perdidos foi um sucesso e levou à criação do subgénero cinematográfico com monstros atómicos, pelo qual Harryhausen ficou conhecido.

Ao longo da sua longa carreira, Harryhausen foi desenvolvendo a sua técnica e foi responsável por momentos únicos da história do cinema, sendo considerado um dos mais criativos técnicos da sétima arte.


Imagem: makingfx.net

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Biocolour

Processo de cinema a cores inventado no início da década de 1910 por William Friese-Greene, inventor e fotógrafo inglês.

O processo produzia a ilusão de cor real expondo a película a preto e branco a dois filtros de cores diferentes. Cada fotograma ficava “pintado” de verde ou vermelho e quando a película era exibida a alta velocidade criava-se a ilusão de cor.

Devido ao Kinemacolor, cuja patente impedia processos rivais, Friese-Greene não conseguiu comercializar o Biocolour e interpôs uma acção judicial contra o Kinemacolor. Friese-Greene ganhou a acção, mas problemas técnicos impediram o inventor de comercializar o processo. Após a sua morte, o seu filho Claude Friese-Greene prosseguiu o desenvolvimento do Biocolour e chegou a produzir o filme The Open Road utilizando o processo.

Muito embora Claude Friese-Greene ainda tenha conseguido vender o processo nos Estados Unidos, o Biocolor não conseguiu impor-se, uma vez que o cinema estava a mudar e todas as atenções estavam viradas para o cinema sonoro.

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Kinemacolor

Sistema de cinema a cores criado em 1906 por George Albert Smith e que se tornou no primeiro a ter sucesso comercial.

O Kinemacolor têm a sua origem nas experiências do inventor inglês Edward Turner que patenteou, em 1899, um sistema de imagens em movimento a três cores. Perante dificuldades em obter financiamento para as suas experiências, Turner pediu ajuda a Charles Urban, um americano residente em Inglaterra e importante figura do cinema inglês. Urban ficou entusiasmado com o sistema e ajudou Turner no seu desenvolvimento. Quando este faleceu, em 1903, Urban comprou a patente e pediu ao seu sócio George Albert Smith que continuasse a desenvolver o sistema.

Albert Smith trabalhou no sistema durante três anos, mas a sua complexidade levou-o a simplificá-lo e, assim, desenvolveu um novo sistema que utilizava apenas duas cores (verde e vermelho) na gravação e projecção de imagens. Nascia, assim, o Kinemacolor, que Urban patenteou em Novembro de 1906. No entanto, o sistema ainda necessitou de dois anos de aperfeiçoamento e a sua apresentação pública apenas ocorreu em 1908, numa sessão para jornalistas. Urban decidiu, então, abandonar os restantes negócios cinematográficos que detinha e dedicar-se em exclusivo ao Kinemacolor, tendo formado, em 1909, a Natural Color Kinematograph Company para comercializar o sistema.

Uma vez que a projecção de filmes em Kinemacolor requeria um projector específico, a comercialização do sistema era feita em exclusividade, com preços altos e filmes de qualidade. Assim, o nome Kinemacolor ficou associado a filmes de notícias e actualidades e os anos seguintes foram ricos em eventos monárquicos, que Urban filmou e explorou. Com muita publicidade à mistura, os filmes eram exibidos numa única sala de cinema e esta rapidamente se tornou no local da moda em Londres.

Um dos mais prestigiados filmes rodados em Kinemacolor foi With Our King and Queen through India (2ª foto), retrato da coroação do Rei George V na Índia. A cerimónia foi filmada por diversas produtoras e quando o filme de Urban estreou já as restantes produções tinham sido exibidas. Pensar-se-ia que o público já não estaria interessado na cerimónia, mas o filme de Urban, com mais de duas horas de exibição e acompanhado por uma orquestra ao vivo, foi um sucesso e tornou Urban num homem rico.

A comercialização do Kinemacolor no estrangeiro seguiu o mesmo modelo de Inglaterra e era também feita em exclusividade, mas o sistema teve fortunas diferentes. Se no Japão o sistema foi um sucesso, principalmente na produção de filmes baseados em peças kabuki, já em França e nos Estados Unidos o Kinemacolor não teve a mesma sorte. Em França, os filmes foram exibidos a preços exorbitantes numa pequena sala de um pouco interessante bairro de Paris e a iniciativa revelou-se um fracasso. Urban ainda tentou remediar a situação alugando uma nova e maior sala de cinema, mas o resultado foi o mesmo e o empresário acabou por perder muito dinheiro. Nos Estados Unidos, a empresa que foi criada para explorar o sistema (Kinemacolor Company of America) também não teve grande sucesso e ficou mais conhecida pelo facto do realizador D. W. Griffith ter comprado os seus estúdios e os planos da abortada produção de The Clansman, que eventualmente deu origem a O Nascimento de uma Nação.

Em 1913, William Friese-Greene, que desenvolveu um sistema a cores rival (Biocolour), contestou, em tribunal, a validade da patente do Kinemacolour e ganhou a acção. Como consequência, o sistema ficou à disposição de todos, mas os elevados custos do Kinemacolor, que necessitava de um projector especial e utilizava o dobro da película em relação aos sistemas habituais (32 fotogramas por segundo, em vez dos habituais 16), fez com que não fosse muito utilizado. Urban ainda continuou a comercialização do Kinemacolor, mas o sistema nunca superou os problemas técnicos de que sofria e foi ultrapassado por outros sistemas, nomeadamente o Technicolor.

Embora tenha sido o primeiro sistema de cinema a cores a ter sucesso comercial, o Kinemacolor viveu essencialmente do marketing e nunca foi o sistema de cores reais que o Urban publicitava. À época, o apetite por imagens em movimento em todo o mundo era bastante grande e o público devorava todo e qualquer tipo de filme. Filmes a cores eram ainda mais aliciantes e o marketing que Urban utilizava para publicitar o Kinemacolor permitiu algum sucesso ao sistema. Muito embora o seu fracasso, o Kinemacolor fica ligado à primeira longa-metragem de ficção a cores da história do cinema, o já esquecido The World, the Flesh and the Devil, produzido em 1914.

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Keystone Kops

Grupo de polícias ficcionais criado em 1912 pelo actor Hank Mann para os estúdios Keystone e que ficaria conhecido pela sua comédia anárquica.

Originalmente constituido por sete actores (George Jesky, Bobby Dunn, Mack Riley, Charles Avery, Slimm Summerville, Edgar Kennedy e Hank Mann), os Keystone Kops caracterizavam-se pelos uniformes mal vestidos, pelas confusões que criavam e pelas perseguições constantes. Tal como o teatro de vaudeville que lhe serve de base, a comédia do grupo é bastante fisica e eram os próprios actores a realizarem todos os números, colocando, muitas vezes, a sua vida em perigo.

Os incompetentes policias surgiram pela primeira vez no filme Hoffmeyer’s Legacy (1912), mas apenas ganharam fama no filme seguinte, The Bangville Police (1913). O sucesso dos Keystone Kops, que estiveram no topo das preferências do público durante dois anos, levou à produção de um total de doze filmes e pelo grupo passaram muitos dos mais talentosos comediantes da época, como Charlie Chaplin e Roscoe “Fatty” Arbuckle.

Em 1914 o responsável pela Keystone, Mack Sennett, optou por passar o grupo para atracção secundária de estrelas como Chaplin, Marie Dressler ou Arbuckle e nesse mesmo ano os Keystone Kops foram substituidos pelas Bathing Beauties. A partir daqui, os Keystone Kops apenas surgiriam ocasionalmente em alguns filmes e com o advento do cinema sonoro o grupo deixa de existir por completo.

Muito embora o seu fim, os Keystone Kops tornaram-se num fenomeno cultural, que perdura até aos nossos dias. A sua importancia é tal, que o grupo é uma uma das imagens de marca do cinema mudo e da própria história do cinema.

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