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Nos primórdios de Hollywood, os filmes eram rodados quase exclusivamente em estúdios e as produtoras viam as filmagens no exterior como uma despesa desnecessária. Para além disso, a deslocação de equipas de filmagens implicava uma grande e difícil logística, tendo ficado famosas as “aventuras” por que passaram algumas produções cinematográficas.

A deslocação da indústria cinematográfica de Nova Iorque para a Califórnia e o consequente desenvolvimento de Hollywood também se deveu à diversidade da paisagem local, que facilmente podia passar por um vasto número de locais diferentes dos Estados Unidos e mesmo do mundo. Assim, na década de 1920, a maioria dos estúdios de Hollywood estabeleceram ranchos cinematográficos onde rodavam as suas produções e a Paramount Pictures não foi excepção. Em 1927, o estúdio gasta $425 mil dólares para adquirir cerca de 10 km2 de terra nos arredores de Los Angeles e constrói diversos cenários, que deram jus ao seu lema “The Best Show in Town” (O melhor espectáculo da cidade).

Tendo por base o cenário espectacular e diverso das montanhas de Santa Mónica, muitos foram os filmes rodados no rancho, de tal forma, que é impossível nomeá-los a todos, mas talvez o mais “estranho” tenha sido As Aventuras de Marco Polo (1938), em que o rancho serviu de cenário à China do século XIII. Muito embora a diversidade da paisagem do rancho, esta era essencialmente americana e, assim, o rancho tornou-se perfeito para a rodagem de westerns. Dos muitos rodados no rancho, o mais elaborado foi Wells Fargo (1937), em que os produtores não pouparam despesas na grandiosidade dos cenários.

Em 1943, a Paramount decidiu vender o rancho por 37 mil dólares, pouco mais de metade do valor nele investido, e nem a perda do mercado lucrativo europeu devido à II Grande Guerra, é explicação para o facto, já que o mercado americano mais do que “compensava” essa perda. Eiser Wickholm tornou-se, então, o novo dono do rancho, que rapidamente o dividiu em lotes e os vendeu individualmente.

Em 1952, William Hertz compra 1.3 km2 pelo preço de 52.500 dólares mas o seu lote não tinha cenários cinematográficos, já que estes encontravam-se na parte norte do rancho e tinham sido destruídos anos antes para dar lugar a casas particulares. Reconhecendo a potencialidade do terreno e desejoso de tirar frutos do seu investimento, Hertz aproveitou alguns edifícios ainda do tempo da Paramount (essencialmente edifícios de apoio, como armazéns e celeiros), a que juntou cenários antigos que comprou à RKO Radio Pictures, quando esta vendeu o seu rancho em Encino, e construiu a sua própria cidade western, reavivando a produção cinematográfica no rancho.

Na década de 1950, os filmes westerns entraram em declínio, mas a produção televisiva permitiu que o rancho continua-se a servir de cenário à produção de Hollywood. Cinco anos mais tarde, Hertz viu-se forçado a vender o rancho devido a doença e a empresa que o comprou tornou o rancho numa pista para corridas de automóveis. Após nova mudança de dono em 1962, o Serviço Nacional de Parques norte-americano adquire o rancho em 1980, acrescenta-lhe mais área, para um total de 1.76 km2, e retoma a produção cinematográfica. Tal como em 1927, o rancho Paramount continua, actualmente, a servir de cenário à produção de filmes e séries de televisão, deslumbrando os espectadores com as suas magníficas paisagens.